23 de julho de 2015

Julho, ventos e chuvas

amores-ventos, 
ventam:
refrescam,
arrepiam,
passam
              - passarão,
                         passarinho -
vão e vem
feito balanço de rede
trazem a chuva
e inundam,
transbordam
(como quase tudo no mês de julho)
fazem brotar flores
fazem restar flores

levados no embalo dos céus,

como sementes,
brotam nos peitos que se permitem

e ali florescem

com a chuva que cai
e por ali se espalham
com o vento que vai

clique e ouça

e
restamos
e
sumimos 
um 
dentro
do
outro

11 de maio de 2015

Tudo são olhos

janelas
e portas
:
tudo são olhos

são entradas
que permitem passagens,
encontros, desencontros
desvios, descaminhos

olhos 
transmutam matéria em incorpóreo,
madeira em alma
e permitem
verdades
sentimentos
transparências

as trocas mais sinceras
sem necessitarmos palavras

janelas 
e portas
:
tudo são olhos 

que invadem
e se deixam invadir

que encontram
e se deixam encontrar

que mergulham no olhar alheio
e viram profundos lagos
esperando que o outro, 
também destemido,
entre
molhe os pés
mergulhe
procure
ache
e
até descubra
como respirar debaixo d'água
porque estando dentro se vê
que amor é fundo, meu bem
- nunca superfície - 
e gasta o ar dos pulmões
mas não se afoga

tudo são olhos 

quando o olho demora noutro
quando a gente se sustenta sem palavras
quando a gente deita no olhar alheio como se fosse rede:

é quando já não precisamos de mais nada

além do aqui
além do agora

4 de maio de 2015

Recortes

Eu juro, meu amor, eu juro. Às vezes bate uma vontade louca de largar tudo. Largar esse, ir praquele que não deu certo. Praquele do amor delicado. Ou praquele indeciso e medroso demais. Ou nada. Ser só. Desistir dessas coisas de amor. 

...


Às vezes, me assusto com a vida: entreabrimos e encostamos as portas, esperando que alguém volte e entre, mas de repente surge alguém nos invadindo pela janela. 


recife, 
2013
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