21 de agosto de 2014

Engendramento

Construímos tantas diferenças
      Tantos trejeitos
                e gestos novos
      Tantos espaços
                cada vez mais
                l
                o
                n
                g
                o
                s 
                entre nós


As passagens das pessoas em nossas vidas
são dessas coisas imprevisíveis demais
- são dessas coisas necessárias demais:
                             firmam-nos pontos fortes
                             ou talvez desinteressantes
                             (nunca desimportantes)
  no peito nosso

                            e nessa nossa estrada,

                                           sempre tão cheia e corrida

                                                      sempre tão solitária e vazia

fotos de Neil Craver
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14 de julho de 2014

Sinestesias


A cor
e o movimento:
cor
a
ç
ã
o

O SOM:
escuto
 forte e pulsante
enquanto fecho os olhos 
e sinto tudo vermelho
quando no interior de minhas pálpebras
desenho os giros no espaço


Contrações do amor
e dos vasos sanguíneos
quando o agridoce 
salta na boca
e no peito florido



foto de Melanie Ziggel
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30 de maio de 2014

Sonial

Incertos ensejos
me levam
às velhas confusões de sempre

Sentimentos escancarados
se fundem com as impossibilidades
e faltas de coragem

- É ESCURO
(e escuto):
tudo me parece perdido
e bagunçado dentro de mim
encontro teus restos
e ainda falo os mesmos nomes nos sonhos


Tudo se repete e tanto e com tal força e muito e sempre


Ontem atendi três ligações ao mesmo tempo
três vozes se misturavam inside my head
e me diziam
e me confundiam
com tudo que eu queria ouvir
em différents langues que nunca soube falar:
                                       - DÓI ACORDAR -
                                       inconsciências refletidas em sonhos
                                       que só nos levam aquém



Ilustração de Tastequiet
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7 de maio de 2014

Caos ou perguntas de 5 meses atrás

o que é que se faz com os erros? com o efeito borboleta? 
o que é que se faz com o que não foi dito? com o que ainda está engasgado na garganta e toda vez que te vejo eu só tenho vontade de despejar logo tudo de uma vez ou de deixar simples sussurros no teu ouvido?
o que é que se faz quando se tem medo? quando não mais se joga nem arrisca?
o que é que se faz com o outro? com as próximas (não)possibilidades?
o que se faz com essa tua falta que me assalta - vez ou outra - nas lembranças? o que se faz dessa vontade de tu?
o que se faz com o gosto? o que se faz se fosse amor? se é?
o que se faz com saudade? 

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28 de abril de 2014

Das minhas fendas

para todos os lados que olho: falhas.
para todas as pessoas que olho: falhas.
para meu interior que olho: falhas. 
para todos os lados que olho: falas.
para todas as pessoas que olho: falas.
para meu interior que olho: falas. 
quando olho para ti:

mais falhas

e calas,
mais nada
.
.
.
onde e quando 
os erros
se esgotam? 
onde e quando
nossos tempos
se acertam?
onde e quando
(e será que)
a gente se encontra?
.
.
.
poucos passam por mim sem que eu sinta
todos tornam-se minhas fendas
(neste tempo de dúvidas,
sobram os sinceros)

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