14 de julho de 2014

Sinestesias


A cor
e o movimento:
cor
a
ç
ã
o

O SOM:
escuto
 forte e pulsante
enquanto fecho os olhos 
e sinto tudo vermelho
quando no interior de minhas pálpebras
desenho os giros no espaço


Contrações do amor
e dos vasos sanguíneos
quando o agridoce 
salta na boca
e no peito florido



foto de Melanie Ziggel
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30 de maio de 2014

Sonial

Incertos ensejos
me levam
às velhas confusões de sempre

Sentimentos escancarados
se fundem com as impossibilidades
e faltas de coragem

- É ESCURO
(e escuto):
tudo me parece perdido
e bagunçado dentro de mim
encontro teus restos
e ainda falo os mesmos nomes nos sonhos


Tudo se repete e tanto e com tal força e muito e sempre


Ontem atendi três ligações ao mesmo tempo
três vozes se misturavam inside my head
e me diziam
e me confundiam
com tudo que eu queria ouvir
em différents langues que nunca soube falar:
                                       - DÓI ACORDAR -
                                       inconsciências refletidas em sonhos
                                       que só nos levam aquém



Ilustração de Tastequiet
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7 de maio de 2014

Caos ou perguntas de 5 meses atrás

o que é que se faz com os erros? com o efeito borboleta? 
o que é que se faz com o que não foi dito? com o que ainda está engasgado na garganta e toda vez que te vejo eu só tenho vontade de despejar logo tudo de uma vez ou de deixar simples sussurros no teu ouvido?
o que é que se faz quando se tem medo? quando não mais se joga nem arrisca?
o que é que se faz com o outro? com as próximas (não)possibilidades?
o que se faz com essa tua falta que me assalta - vez ou outra - nas lembranças? o que se faz dessa vontade de tu?
o que se faz com o gosto? o que se faz se fosse amor? se é?
o que se faz com saudade? 

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28 de abril de 2014

Das minhas fendas

para todos os lados que olho: falhas.
para todas as pessoas que olho: falhas.
para meu interior que olho: falhas. 
para todos os lados que olho: falas.
para todas as pessoas que olho: falas.
para meu interior que olho: falas. 
quando olho para ti:

mais falhas

e calas,
mais nada
.
.
.
onde e quando 
os erros
se esgotam? 
onde e quando
nossos tempos
se acertam?
onde e quando
(e será que)
a gente se encontra?
.
.
.
poucos passam por mim sem que eu sinta
todos tornam-se minhas fendas
(neste tempo de dúvidas,
sobram os sinceros)

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14 de abril de 2014

Dia 9 ou momentos de dúvidas e falsos silêncios

O som da madrugada
e aquele breve momento de dúvida se existe o silêncio:
                                    
                      escuto alguém aguando plantas
                             e alguém que passou de bicicleta
                        vejo a luz de um farol fazer sombra nos prédios
                               e elas dançam enquanto o carro vai embora:
                                                          -  daqui do sétimo andar
                                                         o céu parece um tiquinho mais perto
                                                        mas é só o gosto de ilusão


O céu tem aquela cor azul-escuro-que-vai-clarear
e as nuvens são quase laranjas
(reflexo dos postes de uma cidade que nunca se apaga)


Penso que minha vida vai se ajeitar
            (não sei quando nem como
             mas sou pouco e não deveria me preocupar tanto 
             nem ficar com medo de perder todas essas potenciais coisas que eu sempre acho que perco).

Alguém ainda rega as plantas 
A quantidade de carros na rua começa a aumentar
e escuto o som de suas passadas cada vez mais frequentes
                         .
                         .
                         .

Madrugada bota a gente pra pensar.

                         .
                         .
                         .

Faz calor.
As estrelas já quase se escondem
                      mas ainda resistem

Penso nas possibilidades de amores
que sempre
me escapam
que sempre
escorrem
pelos 
dedos
pelos 
pelos
pelos 
corpos
pelos
corações
pelos
caminhos

.
.
.

O céu clareia
e eu preciso PARAR
pra ver o dia começar
desse jeito bonito 
que apaga nossas memórias
nessa dormência de pensamentos
enquanto o dia acorda
- e eu ainda não dormi 



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